Brasil está em pleno desenvolvimento e, desde o aspecto econômico e financeiro, acentua as diferenças com a Argentina. Está cerca de lograr o investment grade. A administração de Lula procurou ganhar mercados e atrair investimentos. Entediou que o caminho das regras estáveis dá frutos no largo prazo. O mesmo rubro que a Argentina segue esquivando com soberbo empenho.
Uma dúzia de grandes grupos econômicos já tomou a decisão de internacionalizar-se para dar briga no mercado global. Muitos deles começaram na Argentina. A maratona de compras começou no 2002, quando Petrobras comprou PeCom, e promete continuar. Desde a desvalorização até esta data, as empresas verdeamarelas levam investidos uns US$ 8000 milhões na Argentina, entre tomas de controle e ampliações de plantas.
Abeceb.com contabilizou em US$ 6812 milhões o capital investido pelos brasileiros no mercado local desde 2004 até hoje, e o Ministério de Produção da Província de Buenos Aires esperam que este ano destinem em território da província US$ 190 milhões.
Junto com Camargo Correa, AmBev, Banco Itaú, JBS Friboi e Marfrig chegarem outros pesos pesados como Vale, Votorantim e Odebrecht, que se bem tem participação em negócios argentinos faz anos, agora buscam oportunidades mais agressivamente.
¿Por que compram? Tem varias razoes: uma relação cambiaria favorável (ao cerre desta edição o dólar cotizava 1,72 reais contra $3,18), acesso ao financiamento a traves do mercado de capitais na Bolsa de São Paulo ou no exterior, apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e uma equação favorável para “crescer comprando” como geração de valor.
Segundo o embaixador de Brasil, Mauro Vieira, os investimentos representam “o resultado natural da aprofundarão do processo de integração entre as economias”. O diplomático acha que esta tendência vai ser cada vez mais forte.
Tour de compras
Segundo Gregório Charnas e Santiago Alsina, diretor executivo e diretor de Corporate Finance de MBA Banco de Investimentos, o pujante mercado de capitais paulistas é o músculo que permite as empresas brasileiras expandir-se com moeda barata. Aclaram que a estratégia é regional e aponta também a Chile e Peru.
¿Onde seguirá a olha de investimentos? Segundo um consultor que os conhece, “evitaram os setores de alta agitação e regulados por o Governo”. Os possíveis movimentos estão relacionados com a atividade onde os brasileiros são fortes em seu país e na complementaridade das economias. Os expertos em M&A (Fusões e Aquisições) acham que as transações estarão em setores “não tão visíveis” ou na indústria de indústrias: química, petroquímica, construção, materiais para construção, real estate, serviços, packaging e agroindústria de alto valor agregado. Em alimentos, entraram com força os frigoríficos.
A obra pública também é interessante para os brasileiros. Odebrecht (faz 20 anos que está na Argentina) participa nas ampliações dos gasodutos Sur e Norte. Camargo Correa já se apresentou em licitações.
Para onde vão?
As empresas já instaladas avançam com seus planos. Petrobras Energia, a filial local, tem um 9% do mercado e atravessou nos últimos meses uma relação complicada com o Governo, pelos ajustes no mercado de combustíveis.
No 2007, Petrobras Energia ganhou um 46,1 por cento menos que no exercício anterior, ainda faturou um 14,5 por cento mais. Segundo Décio Oddone, o diretor da filial local, o objetivo deste ano “é ser uma empresa com uma rentabilidade aceitável para nossos acionistas”, sem deixar de aclarar que seguirá “procurando o crescimento econômico da Argentina”. Entre 2003 e 2007, Petrobras inverteu US$ 1800 milhões, e tem nos planos aplicar US$ 2300 milhões até 2012.
Mais ala de Olavarria
Camargo Correa tem suas fichas em Loma Negra. Foi comprada em 2005, por US$ 1025 a Amália Fortabat. Este investimento permitiu que ao gigante brasileiro que seja o terceiro produtor regional de cimento, com o 15 por cento do mercado consolidado.
A chegada na Argentina não foi fácil: tive que trocar hábitos de mais de 30 anos, rearmar uma companhia que recebeu poucos investimentos em três anos e com uma demanda interna que não permitia parar as plantas. “Esta é uma indústria de capital intensivo, investimento pesado e mirada ao largo prazo. Para contra-arrestar a falta de energia investimos em geração própria e firmamos participações em projetos de energia plus, com Petrobras e Pampa Holding. No caso do gás, usamos coque do petróleo que importamos do golfo de México e Sudafrica”, explica Humberto Junqueira de Farias, diretor General de Loma Negra. A empresa vai agregar um novo moinho na planta Barker durante o 2008.
Ademais, vão construir uma nova planta na zona da Cordillera, que custará entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, e começará funcionar no 2011.
A tonelada de cimento na Argentina cotiza aproximadamente US$ 78, um preço mais baixo que no Brasil, Uruguay, Chile e Colômbia. “Procuramos melhorar os ratios e tal vez exportar. E uma zona onde estão os túneis novos que conectam com Chile, um país com demanda insatisfeita e alto consumo per capita, sem calcário de boa qualidade e de difícil extração”, analisa o executivo. Outro adianto: Camargo Correa tem equipes técnicas analisando projetos greenfield no Mozambique e Angola.
Chinelos para todos
A empresa controlada por Camargo Correa, São Paulo Alpargatas, tem desde outubro o 60 por cento da Alpargatas, trás ofertar US$ 51,7 milhões aos fundos que controlavam à têxtil, e US$ 33 milhões as acionistas minoritários.
São Paulo Alpargatas é o maior fabricante de chinelos do mondo: dono de Havainas, leva vendidos mais de 3000 milhões de pares desde a década do 60. Tem sete fabricas no Brasil e uma fatoração de US$ 800 milhões em 2007. Os exercícios de Alpargatas incluem a Dupé, Topper, Rainha, Mizuno, Timberland, Sete Léguas, Locomotiva, Night&Day e a rede Megashop. A aposta descansa nos mercados internacionais porque o oito por cento das ventas prove do exterior, mais procuram que alcance o 30 por cento para o 2012.
“Temos pensado crescer na Argentina em quanto a produtos, marketing, aumentar o valor meio e a capacitação”, antecipa Marcio Utsch, CEO de SP Alpargatas. O modelo de locais próprios que aplica com êxito no Brasil é um projeto para importar, ao igual que a incorporação de novas marcas, como Rainha o Mizuno, das quais tem a licença para toda a região.
De carne somos
Como maior exportador de carnes, Brasil se mostrou ativo e comprou frigoríficos argentinos. Em novembro de 2007, Marfrig comprou o 70 por cento de Quickfood por US$ 140 milhões. A operação não teve câmbios na organização. Não tem managment brasileiro e segue dirigida por Luis Bameule. Desde abril, serão cinco brasileiros e três argentinos. Mais a decisão não seria penetrar no manejo operativo, porque Quickfood tem uma estratégia comercial parecida à Marfrig e os compradores sabem que está em boas mãos.
A autonomia ganhada se deve à performance da companhia. Quickfood tem 60 por cento de share em hamburguesas e o 15 por cento em salsichas, e exporta o 40 por cento de sua produção. A empresa, que começou suas aquisições em 2006, destinará US$ 22 milhões para ampliar e melhorar sua capacidade produtiva.
A Argentina foi o primeiro país elegido por JBS Friboi para expandir seus negócios e Swift foi a primeira empresa. Hoje, Swift Argentina está liderada por Nelson Dalcanale, passou duma capacidade de lida de 2000 a 5500 cabeças diárias e tem 4200 empregados. Durante o 2006 investiram US$ 100 milhões em seis plantas e como passaram de ter duas plantas a ter oito, programaram um novo sistema de gestão.
A caça de outro banco?
Banco Itaú chegou a Argentina na década dos 90 e hoje tem 80 sucursais (73 em Capital Federal e Gran Buenos Aires). Depois da crise se concentrou no segmento ABC1 e PyMEs. Segundo Natalisio Almeida, gerente General da entidade, “em 2007 cresceram mais de 30 por cento em banca varejista e 160 por cento em créditos a PyMEs. A meta deste ano é 40 por cento”. Os planos para ganhar terrenos no segmento indivíduos é trair do Brasil ferramentas para identificar aos clientes e novos paquetes que serviços “que ninguém oferece no país ainda”.
A possibilidade de que Itaú compre outra entidade segue no sistema. No ultimo mês, as fofocas diziam que estava procurando Patagônia, dato que foi desmentido. Segundo Almeida: “procuramos um crescimento orgânico. Temos uma situação sólida e se temos a possibilidade no futuro, vamos a fazer um analise. Mais tudo o que fazemos está estudado”:
Bases sólidas
Braskem é produtor de resinas termoplásticas, polietileno, polipropileno e PVC. No ultimo ano faturou US$ 10.000 milhões. Chegou a Argentina faz dois anos, e agora “procuramos oportunidades de aquisições para passar de exportador a produtor local”, explica José Carlos Grubisich, o presidente.
Brakem fez um joint venture com PKV, a petroquímica estatal venezuelana para concertar dois projetos. “Permitirá que consolidemos a liderança no norte de América Latina e significará entrar forte em América do Norte”, analisa o executivo.
¿E a Argentina? “E um mercado que tem prioridade a largo prazo. Tomara tivéramos a oportunidade, mais o setor tem uma estrutura consolidada. Alem disso, não tem matéria prima disponível para pensar projetos que permitam competir com Dow e Solvay Indupa”, responde ainda aclara que o objetivo é crescer firme.
Outro grupo atento as oportunidades é Vale, a principal companhia minera de Brasil. Procura potássio em Rio Colorado (Neuquén), onde está a ultima bacia de potássio ainda não exploradas do mundo. Em caso de confirmar o projeto, destinará sua produção aos mercados brasileiros e argentinos. Vale compete no mercado local de fertilizantes desde 1992, a traves da comercialização de potássio que extrai do Brasil.
Em siderúrgica, a noticia mais recente foi a chegada de Votorantim, que ganhou a disputa com Gerdau e logrou o 27 por cento de Acerbrag, a segunda maior produtora de aços largos na Argentina com um 25 por cento de share. Alem disso, Gerdau tem planos de investir US$ 200 milhões numa segunda planta de Sipar.
Marcopolo, maior fabricante de carrocerias do mundo, logrou o 33 por cento da filial argentina de Metalpar, holding chilena que tem o 70 por cento do share do mercado local de ônibus urbanos.
Os têxteis também traem a bandeira de ordem e progresso. Grendene, que tem a licença de Reebok no Mercosur, a traves de sua filial Vulcabras comprou a ex fabrica de calçados Gatic em Coronel Suarez por US$ 25 milhões, com a aspiração de convertera no principal centro de calçado esportivo na região. Sua competência, Paquetá, é o principal provedor de Adidas. Inaugurou uma nova planta em Chivilcoy, onde fabricará Diadora; y tem planos de investimento de US$ 20 milhões até 2011.
O grupo Dass abriu uma planta em Misiones e lhe comprou à italiana Fila o manejo de sua marca em América Latina e fabricará Nike, Fila e Umbro.
Soja e Tijolos
Gustavo Grobocopatel se associou com o fundo de investimentos PCP, que aportou US$ 100 para desenvolver o modelo de Os Grobo em seu país.
Cyrela Brasil Realty chegou da mão de IRSA e apresentou um projeto de US$ 60 milhões em Vicente Lopez. Em pouco tempo, vai anunciar outro no Abasto. E Silvio Santo, o maior empresário da televisão brasileira, também quereria formar parte a traves de Sisan Empreendimentos.
As empresas de Brasil vão ao ataque porque seu país está nivelando lentamente o campo de jogo. O resultado do partido é claro. ¿Não?
Traduçâo: Cecilia Valleboni